400 anos depois

Um corredor secreto e escuro
Esconde os mais infindáveis segredos
Os reflexos das velas brilham
Enquanto os jovens apaixonados se amam
Lá no fundo a morte, pintada de branco
A alma se constrói em uma roda sem fim
As coras vibram através de um simples olhar
E o coração pulsa movimentando a cruz que jaz no leito
Romeu grita no silêncio perguntando às caveiras onde está o espelho
“Meu espelho não me dirá que envelheço”
Só me dirá que morro
Entre a morte e as palavras
Eu vivo, respiro e canto
O esqueleto frio observa ansiando o sopro
Ansiando sair da caixa em que foi aprisionado
Cheio de tijolos e flores
Uma mão o toca e o presenteia
E uma nebulosa de desejo liberta a jovem amada
Ela se transforma em uma onda, uma explosão de liberdade
O retrato da vida passa
A ampulheta do tempo gira
Duas faces de um mesmo espelho se tocam, se repelem
Nas noites longas de verão os reis dançam e cantam
Com seu brilho e esplendor não veem
O último beijo
Trancados em um teatro
Tiram as máscaras
Ouvem os relógios
E fazem a pergunta final
No que nos transformaremos?
No fim do corredor secreto
Atrás da porta

O autor vive a última obra

Inspirado na exposição “William Shakespeare: 400 anos depois” oferecida pela Secretaria de Estado de Cultura, pela Superintendência de Museus e Artes Visuais e pelo Centro de Estudos Shakespeareanos no Museu Mineiro em Belo Horizonte – MG

Foto: Arquivo pessoal

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