Desafio – C. J. Redwine (Resenha)

Os desafios de nossas vidas são muitos. Lutamos para correr atrás dos ônibus (lotados por sinal), enfrentamos as dificuldades de todo fim de semestre com a matéria acumulada, ficamos horas e horas em engarrafamentos, somos encharcados com poças de água, vemos as cores irem embora, lidamos com a pobreza, a riqueza, a falta de compaixão, a corrupção e acima de tudo, nosso maior desafio, é viver da melhor forma que podemos com o que nos foi dado.

Só que lá em Baalboden as coisas são um pouco diferentes. A cidade vive fechada em si mesma, cercada por grandes muralhas que protegem a população do terrível Maldito, um monstro que sai de buracos (que ele mesmo cava, diga-se de passagem) na terra e não sossega até que todas as suas vítimas estejam mortas. Dentro dessas pesadas paredes de pedra as pessoas tentam viver suas vidas comuns à mercê das regras cruéis impostas pelo Comandante em troca de segurança e proteção contra o Maldito.

Em toda a situação, quem mais sofre são as mulheres. Elas são vistas com completa inferioridade e vivem à sombras de seus Protetores. Não podem sair de casa sem eles, não aprendem a ler nem a escrever porque eles fazem isso por elas e todas as decisões elas apenas balançam a cabeça e concordam com a sabedoria inquestionável dos homens que as protegem. Aos 17 anos, todas as meninas passam por uma cerimônia que elas esperam ansiosamente a vida toda (nem um pouco humilhante), na qual elas ficam esperando os pretendentes virem tomá-las e levá-las embora como esposas

Mas, como toda boa distopia, existe uma pessoa que é a exceção a essa regra, a cabeça fora do padrão. Rachel já está quase na idade de ser tomada, mas não poderia ligar menos para isso. Enquanto as outras meninas se preocupam em aprender a cozinhar e costurar ela passa horas e horas treinando técnicas de combate e luta. É uma garota forte, independente, como opinião formada sobre tudo e o exato oposto do que significa ser mulher em Baalboden. No ponto que a história se inicia, seu pai está desaparecido e ela só consegue pensar em três coisas: ir atrás dele, destruir o comandante e sobreviver ao seu novo protetor, o aprendiz de seu pai que pisou em seu coração quando era mais nova.

Esse aprendiz, Logan, é um garoto que viu sua mãe ser assassinada bem na sua frente e foi amparado por Rachel e seu pai quando não tinha mais nada por que viver. Ele é extremamente inteligente, habilidoso e constrói várias ferramentas com pouca coisa que os salvam em vários momentos da história. Agora, vendo sua única família desmoronar diante de seus olhos ele precisa dar um jeito de unir forças com Rachel para encontrar Jared e impedir que o Comandante continue distribuindo  injustiça e crueldade para as pessoas. Isso tudo sem colocar Rachel em perigo, afinal ele é seu protetor. Mas é exatamente na cara do perigo que Rachel vai de encontro.

Um ponto interessante é o fato de Logan e Rachel serem personagens com características muito distintas (talvez até opostas). Logan é muito calculista e prático. Ele não deixa que suas emoções atrapalhem suas ações (com exceção de uma vez), consegue separar o momento de sentir e de pensar, o que ajuda seu cérebro a funcionar a mil por hora e bolar todas as estratégias e planos em todos os mínimos detalhes, analisando as consequências e possíveis falhas. Já Rachel é uma pessoa muito emotiva. Por mais que ela lute a todos os momentos para sufocar seus sentimentos eles afetam muito sua cabeça e sua capacidade de pensar e ela se torna então uma pessoa impulsiva. Com o desenrolar da história ela vai ficando cada vez mais cega com o desejo de vingança e isso atrapalha que ela pense com discernimento e clareza. Essas características são um pouco comuns nesse tipo de história. A garota diferente, fora do padrão e revoltada com o sistema que irá despertar a chama da revolução nas pessoas e instaurar a reforma.

A história já carrega os questionamentos característicos de uma distopia, como o sacrifício da nossa humanidade em prol de uma causa, o limite entre a vingança e a justiça e o que nos tornamos quando nossos valores são colocados à prova, mas não traz nada de novo. Outro detalhe da narrativa que não fez muito sentido com a história em si foi a explicação da origem dos Malditos. Na minha percepção, o motivo da sociedade estar daquela forma, o tipo de guerra que foi travada para alterar tanto a estrutura social não tem força nenhuma dentro da narrativa e passa a impressão de ser uma explicação criada apenas pela necessidade de preencher as lacunas. Esse tipo de informação é muito importante, ainda mais que, à medida que a história vai se desenrolando, percebemos que os Malditos são peças chave para a dinâmica da narrativa.

Independentemente destes pontos negativos, a narrativa é fluída, rápida e é muito fácil se envolver com romance que é desenvolvido. Apesar de ser uma distopia, há muitas características da sociedade que se assemelham um pouco com elementos medievais e é interessante como a autora aborda essa temática misturando fatores atuais e antigos em um mesmo tempo. A história acaba em um cliffhanger muito bem estruturado que te deixa curioso até a alma para descobrir o que que eles irão fazer com as novas informações que receberam e com o que aconteceu. A autora deixou o final com muitas possibilidades de desenvolvimento e estou bem curiosa para ver como ela o faz. Só nos resta esperar agora pelo lançamento dos próximos e torcer para mais surpresas e mistérios.

Infos amigas para entrarmos nessa história *-*

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Google Imagens

DESAFIO

C. J. Redwine

Ano: 2012

Páginas: 364

Gênero: Distopia

Editora: Novo Conceito

Onde comprar: Amazon

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