A Fera – Alex Flinn (Resenha)

Todo bom leitor sabe que o assunto “adaptações” é bem complicado. Mas, para que simplificar se nós podemos complicar não é mesmo? E é exatamente isso que vamos fazer hoje. Vamos complicar e falar de adaptações. Nós vivemos uma espécie de quem veio primeiro o ovo ou a galinha literário, porque ficamos na infinita dúvida de qual é pior (ou melhor), ler o livro ou ver o filme primeiro. É uma eterna indecisão. A única certeza é de que terão comparações e elas distorcerão nossa opinião. Fato. Somos parciais quando se trata de adaptações. Então imaginem eu me deparando com A Fera, depois de ter visto e amado o filme. Afinal, tudo que mistura A Bela e a Fera em uma mesma coisa tem que ser maravilhoso.

A história começa com a nossa Fera, Kyle Kingsbury. Lindo e rico do que mais ele precisaria para ser o garoto mais popular da escola? Nada. Ele é o descolado que todo garoto queria ser e toda garota queria ter. Mas por dentro ele é vazio, egocêntrico e egoísta. É uma verdadeira Fera. Tanto que quando ele esnoba a esquisitona da escola ela o transforma exatamente em uma Fera. Antes que você se confunda vou te contar. É literalmente mesmo, ela era uma bruxa que decidiu dar uma lição no jovem que só tinha olhos para seu próprio umbigo e o transformou naquilo que seu interior mostrava. Você tem dois anos para que uma garota o ame e você a ame de volta, ela disse a ele. E assim começou a queda de Kyle e a ascensão de Adrian.

Como seu pai era um repórter que, assim como o filho, só ligava para a aparência, “trancou” o garoto em uma casa no Brooklyn com uma empregada e um tutor cego e o abandonou, para passar por toda a dor da reclusão e da maldição sozinho. Não que ele fosse um bom pai antes, mas esquecer que tem filho foi demais para Kyle, que já era bastante traumatizado pela ausência do pai. Assim, ele permaneceu durante muito tempo, sem contato com o mundo lá fora, a não ser pelo seu espelho mágico. Até que um belo dia, pela obra do destino (ou de uma bruxa, chame como quiser) uma garota aparece em sua vida. Será que seria ela que quebraria a maldição e o transformaria em homem novamente?

Linda vai morar em sua casa, contra sua vontade, e conhece Adrian (como Kyle passou a ser chamado). Ela não fazia ideia de que ele era o mesmo garoto esnobe que havia lha dado uma flor no baile de formatura de sua escola e precisa aprender a conviver com ele. Ele precisa fazê-la se apaixonar por ele dentro do prazo e deve amá-la de volta. Mas essa é a parte fácil, amá-la. O difícil é mostrá-la o homem transformado por baixo da Fera. Mas a partir daí você já pode imaginar como as coisas aconteceram né?! Rosas, vestidos, danças, abraços e conversas mudam os sentimentos de quem não vê que alguém pode ser seu par. “E quando ele vem nada o detém, é uma chama acesa”. Os dois se deixam levar pela magia e se encantam, mas não vou te contar o final porque ainda que todos já conheçam a essência da história algumas surpresas estão por vir.

Agora, por mais que meu dedos tremam sobre o teclado, não farei uma comparação entre o filme e o livro. Isso é glitter para outro carnaval. Posso apenas dizer que as semelhanças existem, mas as diferenças são bem mais presentes. Por mais que seja difícil não comparar as duas, não é impossível porque parece outra obra diferente (ops, falei que não faria comparações). O que posso dizer é que a história da Bela e a Fera já foi adaptada para todas as épocas, todos os países e contextos sociais diferentes e eu, como fã incondicional, estive presente em todas as aparições do tale as old as time. Então eu já vi bastante sobre o assunto e mesmo assim me surpreendi com A Fera. O autor misturou a magia no mundo atual de um jeito muito interessante, de modo que elas coexistem em harmonia e em segredo. A estrutura social é a mesma que vivemos e o mundo mágico está escondido da vista de todos.

O mais diferente da história, porém, é que tudo que descobrimos é porque Kyle conta para seus amigos virtuais em uma sala de bate papo na internet. Este chat reúne várias pessoas que foram amaldiçoadas e alguns seres mágicos para se ajudarem a vencer os desafios. É nesse grupo de autoajuda que Kyle se abre e liberta as mágoas de seu coração. Confesso que no começo achei um pouco estranho esse grupo e algumas vezes até o julguei desnecessário, mas ao final percebi que muitas vezes nós só conseguimos lidar com o que passamos e manter as esperanças quando compartilhamos nossas vivências e experiências. No fim das contas é isso que a literatura faz, ela abre espaço para falarmos de nossas singularidades e de nossa história e as vezes é disso que precisamos para domar nossa fera interior.

O livro é nosso espelho ❤A-Fera

A FERA

Alex Flinn

Ano: 2011

Páginas: 320

Editora: Galera Record

Gênero: Ficção

Onde Comprar: Saraiva

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