De volta a Oz

Ele estava de volta. Dessa vez o roxo que escorria pelo seu corpo foi tomado pelo rosa, mais forte e decidido, que coloria a água aos seus pés. Ele estava de volta à aquele mundo, mas agora fazia o caminho contrário. Seguia os tijolos amarelos para dentro do reino, em direção ao que, antes, abrigava os motivos de todas as suas aflições. Mais de um ano havia se passado e ali ele se via novamente, cercado pelas altas montanhas e sentindo o sol reluzir em seus sapatos vermelhos. As palmas de suas mãos suavam e seu coração batia em um ritmo descontrolado dentro de seu peito.

“Estou de volta” ele pensou. “E agora?”. Tanto havia lutado para sair dali, levou para casa arranhões que demoraram a cicatrizar e peças quebradas, mas tinha sobrevivido. O que fazer então se estava caminhando no sentido de toda dor? Ele já não se lembrava mais do amor que uma vez esteve por lá e o medo do inesperado havia colado seus pés naqueles tijolos que o encaravam. O espantalho havia perdido o coração, mas o queria de volta para sentir novamente.

Tinha ganhado uma nova chance de fazer amizade com leões e desenferrujar homens de lata e iria jogar fora porque a cola de seu corpo estava recém secada, ainda frágil? Não! Ele não permitiria que isso acontecesse. A decepção, os números e as descobertas de anos atrás foram apagadas pela música da noite anterior e foram levados pelo roxo e pelo rosa que descia pelo ralo. A cortina foi colocada novamente no lugar e ele ansiava por descobrir a mágica que estava por trás dela, sem dessa vez porém se decepcionar com o que parecia ser e não era.

Olhou para suas pernas e reconheceu as tatuagens que havia feito. Ele havia se transformado em outra pessoa, uma pessoa colorida, única, autêntica e viva. Com as doze badaladas voltou a ser ele mesmo, mas os desenhos haviam permanecido ali marcando novas memórias, novas melodias, novas pessoas e novos corações. Percebeu enfim que estivera buscando voltar ao reino todo esse tempo, só não sabia como. Agora que a chave tinha finalmente aberto a porta ele só precisava dar um passo para dentro. A ânsia de viver novas aventuras tinha que ser maior que o medo da moça má do oeste. O verde dela era só uma cor, será que ele realmente ganharia de todo seu arco íris?

A primeira parte dessa saga está aqui 😉

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