Elemental: Em Busca das Origens – Bianca Hubert (Resenha)

Elemental, meu caro Watson, é uma história que te fará ressurgir como uma fênix para o mundo mágico da literatura. O reino Helementtarë é povoado por semielfos que sentarão e te contarão uma aventura que certamente prenderá sua atenção. Ela começa em um orfanato onde quatro crianças criadas por uma senhora, Alcarin, e uma jovem, Arwen. Todos ali são órfãos, mas encontraram uns nos outros sua família. Arwen é a semielfa principal de nossa história e (mesmo que ela não acredite) desempenhará um papel muito importante no destino do Reino.

Atormentada por uma fênix em seus sonhos ela um dia descobre que foi escolhida para fazer parte da grande Seleção que escolherá a nova rainha ou o novo rei do Reino. A atual líder havia decidido deixar o posto então a Mãe Natureza e o Elemento Maior (o ser onipresente e onisciente que protege o reino) dão início à Seleção, um evento de muita popularidade entre os semielfos e de grande importância para aqueles que são escolhidos.

O processo envolve diversas tarefas que cada participante precisa cumprir e a cada uma a Mãe Natureza e o Elemento Maior escolhem os que estão aptos a continuar e aqueles que, infelizmente, não tem o que é preciso para governar o reino. Durante estes desafios, os semielfos desenvolvem mais as habilidades em torno de seu Elemento principal, além de o apresentarem a toda a população. Só que tem um pequeno (grande) problema: Arwen não faz ideia de qual é seu Elemento. Na teoria, ao completar 17 anos, todos os semielfos passam por um teste que determina qual o elemento que predomina neles e, através disso, as tarefas e obrigações sociais são distribuídas. Porém, na prática, com Arwen não foi assim porque até onde ela sabia, em seu teste ela não tinha sido determinada por nenhum dos elementos principais (Água, Fogo, Ar e Terra), mas mesmo assim foi escolhida para a Seleção.

Confusa sobre sua própria identidade, Arwen parte para o Palácio esperando com todas as suas forças pelo menos algumas respostas às suas tantas indagações. Por um momento, desistir cruzou seus pensamentos, mas a garota de personalidade forte e decidida resolveu abraçar seu destino e encarar de frente tudo o que o Elemento Maior colocar em seu caminho. Mas como já diz um velho ditado “não há nada ruim que não possa piorar” e, já no Palácio, Arwen descobre que, além de não fazer ideia do seu Elemento, ela ainda terá que lidar com uma seleção diferenciada por causa de ameaças ao Reino.

O desenrolar da história conta o processo de Seleção todo e introduz personagens na vida de Arwen que despertam nela sentimentos ainda não experimentados pela garota. Por causa de seu gênio instável todas suas relações são intensas e seus sentimentos são amplificados, de modo que conseguimos sentir o que ela está sentindo. Ela tem a péssima mania (que eu também tenho) de pensar demais nas coisas, mas ela busca todos os meios possíveis para resolver qualquer problema que aparece.

Um dos elementos (sacou?) que eu mais gostei no livro foi que Arwen, ao chegar no Palácio, vai morar em uma cabana próxima ao Bosque dos Elementos. Toda vez que ela ia até esse Bosque ou algum personagem fazia menção a ele eu sentia uma paz muito grande. Ele é definitivamente um lugar que eu gostaria muito que fosse real, onde os quatro elementos principais são encontrados em harmonia e revitalizam as energias de quem por ali passa. É um lugar de meditação e de encontro com o seu interior. Me peguei em diversas partes do livro torcendo para que Arwen voltasse ao Bosque, só para que sua paz me invadisse novamente.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a bela relação dos elfos (sim, eles existem) e semielfos com a natureza. Eles têm um respeito por ela muito grande e acima de tudo uma gratidão pela vida e pelo que ela oferece. Além disso, é claro em todos os momentos como ela e o Elemento Maior regem a vida das pessoas. Além de serem decisivos na organização e na divisão de tarefas, os dois influenciam diretamente na consciência dos semielfos. Os elementos principais de cada um impactam diretamente a personalidade e por consequência as relações sociais.

Por fim, não poderia deixar de falar daquele que sempre faz meu coração palpitar mais rápido, que faz minhas mãos suarem e que é (muitas vezes) o grande x da questão que separa uma história fantástica de uma não tão fantástica assim: o romance. E posso dizer que ele funcionou perfeitamente e na medida certa para me intrigar ainda mais e me deixar com as orelhas em pé para ler o próximo volume. Ele pairava no ar de maneira sutil e singela, o foco dado não foi clichê nem forçado demais, ele fluiu como uma coisa natural, uma consequência dos acontecimentos e do rumo que a vida dos personagens tomou.

Bianca Hubert criou um mundo que vale muito a pena ser lido e que em vários momentos (se não todos) me fez querer fazer parte da história. Ela deixou algumas pontas soltas para explorar nos próximos livros que só aguçaram ainda mais nossa curiosidade. A intensidade da família é algo que me marcou muito durante a leitura, que fluiu tão natural quanto a paz do Bosque. Esse livro me trouxe de volta de uma ressaca literária, exatamente como a fênix trouxe de volta o sentido de tudo. Coincidência? “Definitivamente eu não podia mais acreditar em coincidências. Essa palavra devia ser extinguida do meu vocabulário.”

Infos ❤

 

ELEMENTAL

_CAPA_
Imagem fornecida pela autora

Bianca Hubert

Ano: 2017

Páginas: 269

Editora: Independente

Gênero: Fantasia

Onde comprar: Amazon

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