Nildrien – O Pergaminho – Manoel Batista (Resenha)

O dia que dragões, clérigos, magos, feiticeiros e lutadores saírem de moda eu acho que me aposento do mundo literário. Eu nunca me canso de ler suas incontáveis aventuras e certamente sempre estou com as malas prontas para partir com eles em suas longas jornadas e missões. É claro que meu conhecimento de luta, para enfrentar monstros e travar batalhas, ainda não é vasto como o da maioria dos integrantes de uma guilda, mas sei que à medida que eu adentrar mais nesse mundo as habilidades necessárias serão desenvolvidas. Disso estou certa, acabou de acontecer. Voltei de mais uma aventura e sei que pelo menos um pouquinho de XP eu ganhei.

Desta vez eu estava em Nildrien, um mundo enorme e cheio de possibilidades e nos meus primeiros dias lá conheci várias pessoas que me acompanhariam nesta jornada. E de um a um eles foram chegando a Nalim, um dos reinos de Nildrien, governado por uma boa e sábia rainha. A rainha, Dyla, através de sua amizade com Skyllus, o reino da Luz, descobriu que na Caverna Antiga estava escondido um pergaminho escrito simplesmente pelo maior mago de toda a história do mundo. Ao que parecia, a magia do pergaminho tinha despertado e, além de provocar todos os monstros que moravam na Caverna, despertou o interesse do reino das trevas, mais conhecido como Asenhar, o grande inimigo da luz e do bem presente no resto de Nildrien. Então, a rainha Dyla precisava mandar um grupo de pessoas atrás do Pergaminho para pega-lo antes que caísse nas mãos de Asenhar e todo o conhecimento de Arkross (o vulgo mago fodão) fosse usado para o mal. E tudo viraria o caos. Porém, eles estavam em desvantagem: Asenhar tinha conseguido um mapa que levava diretamente ao esconderijo e por isso Nalim precisaria os interceptar antes de chegarem à Caverna, tarefa que até então se mostrava (quase) impossível.  

Assim, a rainha precisaria de um grupo forte, coeso e com pessoas com habilidades diferentes que se complementassem. Portanto, todas aquelas pessoas que eu conheci nos primeiros capítulos (que coincidentemente haviam se inscrito para a divisão de missões do exército de Nalim) foram convocadas para formarem o tal grupo salvador da pátria. 15 pessoas, entre elas um meio dragão e dois meio demônios, se reuniram no castelo e receberam a tarefa de irem até a Caverna Antiga resgatar o pergaminho e combater os enviados de Asenhar. Até a Princesa da Luz, em pessoa, estava presente e acompanharia a todos na missão.

Com isso, nossos 15 desbravadores e aventureiros (16 se você incluir a leitora, no caso eu) partiram em busca do sucesso e da paz. A partir dai, acompanhamos a jornada do grupo de Nalim e paralelamente acompanhamos a jornada do homem que vendeu o mapa do esconderijo de Arkross a Asenhar. Este homem, decidido a se apossar do bem que havia mobilizado as forças de reinos tão importantes, se junta a um nobre de Nalim e também parte em busca do tão querido pergaminho. No meio do caminho, os dois grupos enfrentam diversos perigos e surpresas na Floresta das Sombras e eventuais encontros inesperados. O grupo de Nalim, cada vez mais unido e determinado, se preparava psicologicamente durante o caminho para enfrentar os corredores frios e escuros da Caverna. Afinal, sem o mapa a chance de ficarem perdidos na imensidão da Caverna era bem grande, isso se os monstros que lá moravam não resolvessem sair para dar-lhes um caloroso oi.

Depois de terminar o livro ficou bem claro para mim que as fantasias (medievais) também estão no sangue do brasileiro. Manoel Batista conseguiu, com muita destreza, desenvolver uma história com todos os elementos que seu gênero pede. Boas cenas de luta, detalhes vastos (bem vastos mesmo, acredite), personagens bem desenvolvidos, mas não tão aprofundados e narrativa bem situada no tempo e no espaço. Além disso, Nildrien tem uma background story muito rica, que abre espaço para muitos desdobramentos futuros. A escrita é simples e muito acessível, com toques de atualidade que fazem essa obra se diferenciar de tantas outras do gênero, normalmente extremamente rebuscadas e cansativas. Mas isso não deixa a história menos complexa e pede muita atenção e engajamento do leitor. Tenho certeza que os errinhos de revisão não estarão presentes nas próximas edições e, por mais que tenham me incomodado um pouquinho, não comprometem de maneira nenhuma a leitura. O enredo foi bem explorado e todas as linhas foram amarradas no fim. Além disso, o autor me fez desejar muito um segundo volume, mas o motivo disso só lendo para descobrir.

Apesar do começo um pouco lento (por causa da introdução de todos os personagens), depois de um tempo a história se torna bastante dinâmica. Parte dessa dinamicidade veio com a estratégia de alternar os capítulos entre a perspectiva do grupo de Nalim e da dupla com o mapa, que, de maneira assertiva, serviu para aguçar a curiosidade do leitor. Com humor, a relação que se desenvolve entre os heróis te cativa e você se vê torcendo pelo sucesso deles no final. Ah, e enlouquecida por romance como sou não pude deixar de shippar duas pessoas, um tanto quanto improváveis, mas já sei que isso será só na minha cabeça mesmo. Como última coisa digo que essa obra vai te desafiar até o final e se você não se entregar totalmente a ela, perderá muitas coisas impressionantes.

É com um orgulhinho crescente no coração que digo que mais uma vez a literatura brasileira provou sua competência e habilidade com uma fantasia incrível e muito convidativa. E para os fãs do gênero eu recomendo a obra citando as belas palavras do próprio autor (que encontrei no meu exemplar): sejam bem vindos à Nildrien.

Viaje com a gente! 🙂

NILDRIEN – O PergaminhoNildrien-o-pergaminho

Manuel Batista

Ano: 2015

Páginas: 586

Editora: Novo Século (Talentos da Literatura Brasileira)

Gênero: Fantasia Medieval

Onde Comprar: Amazon

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