A Tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza – William Shakespeare (Resenha)

Eu acho (e está virando quase uma certeza) que todos os habitantes do mundo literário já ouviram falar em algum momento da vida das tragédias shakespearianas. Clássico, como vários outros. Só que o que muitos ainda não sabem é que além de todo o romantismo de Romeu e Julieta ou toda a dúvida existencial de Hamlet, existe um mundo incrível, grande e prontinho para ser explorado. E é entrando nessa selva desconhecida que encontramos Otelo, outra vítima das fatalidades do destino.

O jovem Mouro de Veneza, Otelo, era um homem importante, respeitado e ocupante de um alto cargo de defesa da Itália. Ele se casa secretamente com Desdêmona, uma bela moça que se apaixonou por suas histórias e pelas aventuras que o mouro já havia vivido em sua vida. Porém, por causa da cor de sua pele, Otelo não foi aceito pelo pai de sua esposa e o seu casamento trouxe descontentamento para muitas pessoas.

Entre elas estava Rodrigo, um jovem rapaz que, apaixonado por Desdêmona, é convencido por Iago a se unirem em um plano de destruição do mouro e “resgate” de Desdêmona. Iago, cegado pelo ódio contra Otelo, que escolheu outra pessoa para ocupar o cargo que Iago tanto almejava, teceu sua rede de vingança e aproveitou do coração tomado por amor de Rodrigo para conseguir o que tanto queria.

A história se passa em Chipre, onde Iago manipula todas as circunstâncias ao seu redor e planta no coração de Otelo uma semente de ciúmes, alegando que a inocente Desdêmona não era tão inocente quanto parecia ser e, se tinha enganado o próprio pai, imagina o que estaria fazendo pelas costas do mouro. Assim, o desenrolar da história mostra Otelo vivendo uma confusão mental e o ciúmes enlouquecido o cega de maneira a não mais enxergar o amor angelical que sentia por sua bela esposa.

Apesar do desfecho trágico já esperado da história (não é spoiler se está no título da história) William Shakespeare conseguiu nos surpreender com pensamentos ligeiramente avançados para seu tempo. Ele foi um dos primeiros a desenvolver uma história na qual o personagem negro não era o vilão, o que na época causou um grande rebuliço na sociedade. Além disso, ele enfatiza o lugar subordinado das mulheres, que sofriam nas mãos dos maridos e não tinham liberdade para expressarem e seguirem o que acreditavam. Porém, podemos perceber uma certa indignação dessa realidade em Emília, a dama de companhia de Desdêmona, que em um diálogo com a última expressa seu descontentamento e sua opinião firme de que as mulheres deveriam ser tratadas com dignidade pelos seus maridos, pensamento muito incomum em toda a sociedade do século XVII.

A Penguin Companhia, além de nos trazer a riquíssima tragédia de Otelo, colocou nessa edição uma introdução recheada de novas interpretações de especialistas, que contribuem para a leitura da peça em sua plenitude. Além disso, as notas nos ajudam a compreender melhor as nuances de um contexto histórico tão distante do nosso (mas ao mesmo tempo tão próximo) em que os costumes sociais muitas vezes nos passam despercebidos. Para uma amante abertamente declarada das histórias do Bardo inglês, me senti mais próxima e por dentro de todos os detalhes que fizeram com que eu me encantasse pela verdade traduzida por esse brilhante escritor.

OTELOotelo

William Shakespeare

Páginas: 324

Ano: Aproximadamente 1604; 2017 (edição Clássicos – Companhia das Letras)

Editora: Penguin Companhia

Gênero: Drama

Onde comprar: Amazon

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